A operação, conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Civil, acusa o funkeiro de apologia ao crime e envolvimento com o tráfico de drogas, especificamente com a facção criminosa Comando Vermelho (CV).
Detalhes da Prisão
MC Poze foi detido com base em um mandado de prisão temporária expedido pela Justiça.
Segundo as investigações, o artista realiza shows exclusivamente em áreas dominadas pelo Comando Vermelho, com a presença ostensiva de traficantes armados com fuzis, que garantem a "segurança" dos eventos. A polícia aponta que esses shows seriam financiados pela facção, contribuindo para o fortalecimento financeiro do grupo por meio do aumento do consumo de drogas nas comunidades onde ocorrem.
Um dos casos citados pela polícia foi um baile funk na Cidade de Deus, realizado em 17 de maio de 2025, dois dias antes da morte do policial civil José Antônio Lourenço, da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), em uma operação na mesma comunidade. Vídeos do evento mostram traficantes exibindo armas de grosso calibre, enquanto Poze cantava músicas que, segundo as autoridades, enaltecem o CV e incitam confrontos com facções rivais.
Durante a operação, foram apreendidos itens de luxo, como joias, relógios, aparelhos eletrônicos e dinheiro, além de um carro BMW X6 avaliado em cerca de R$ 1 milhão, que apresentava irregularidades administrativas. Algumas joias do cantor, segundo a polícia, fazem alusão à facção criminosa.

Acusações e Investigação
A Polícia Civil alega que as letras das músicas de Poze extrapolam os limites da liberdade de expressão, configurando apologia ao crime, crime previsto no Artigo 287 do Código Penal Brasileiro, com pena de 3 a 6 meses de prisão ou multa. As autoridades afirmam que o repertório do cantor promove a "narcocultura", enaltecendo o tráfico de drogas, o uso de armas e a ideologia do Comando Vermelho.
O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, destacou que as músicas de Poze têm um alcance "incalculável" e podem ser "mais lesivas que o tiro de um fuzil disparado por um traficante".Além disso, Poze é investigado por tortura e cárcere privado em um caso separado, registrado na 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes). Segundo a denúncia, um homem teria sido agredido pelo cantor e seus amigos após ser acusado de roubar um bracelete na casa do artista. Poze optou por permanecer em silêncio durante o depoimento.Reação do Cantor e da Defesa
Ao ser transferido para a Polinter, Poze declarou à imprensa que sua prisão é uma "perseguição" e afirmou que não há provas contra ele: "Isso é perseguição, mané. Cara de pau, isso aí é perseguição. É indício, mas não tem prova com nada. Manda provar aí". Ele sugeriu que a polícia deveria focar nos criminosos nas comunidades, não nele.O advogado de Poze, Fernando Henrique Cardoso Neves, classificou as acusações como uma "narrativa antiga" e anunciou que entraria com um pedido de habeas corpus. Em nota publicada nas redes sociais do cantor, a defesa negou as acusações, argumentando que a prisão representa a "criminalização da arte periférica" e um "episódio de racismo e preconceito institucional".
Histórico de Polêmicas
Esta não é a primeira vez que MC Poze enfrenta problemas com a Justiça. Em 2019, ele foi preso durante um show em Sorriso, Mato Grosso, acusado de apologia ao crime e outros delitos. Em 2020, foi absolvido por falta de provas em um caso envolvendo um baile funk no Jacaré, Zona Norte do Rio. Em 2024, ele e sua esposa, Viviane Noronha, foram alvos da Operação Rifa Limpa, que investigava sorteios ilegais nas redes sociais, resultando na apreensão de joias e carros de luxo.Poze também admitiu, em depoimento anterior, ter atuado como "vapor" (vendedor de drogas) entre 2015 e 2016, mas afirmou ter abandonado o tráfico quando a milícia invadiu sua comunidade.
Audiência de Custódia e RepercussãoNa tarde de 29 de maio, a Justiça do Rio manteve a prisão temporária de Poze por 30 dias após audiência de custódia na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica. O cantor foi transferido para a Penitenciária Dr. Serrano Neves (Bangu 3), conhecida por abrigar presos ligados ao Comando Vermelho.
A prisão gerou reações mistas. No presídio, outros detidos celebraram a chegada de Poze, com gritos de "É o Poze! Malvadão tá com nós!". Nas redes sociais, o rapper Oruam, filho de Marcinho VP, defendeu o cantor, chamando a operação de "covardia" e criticando o Estado por "prender um MC" como resposta ao crime organizado.
Por outro lado, posts no X refletem divisões: alguns usuários, como @carlosjordy, celebraram a prisão, destacando a ostentação de Poze e sua suposta ligação com o crime, enquanto outros, como @JovemPanNews, questionaram a constitucionalidade de prender um artista por suas letras.
Debate Sobre Liberdade de Expressão
A prisão de MC Poze reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão artística e a criminalização do funk. Enquanto a polícia argumenta que as letras e shows de Poze fortalecem o crime organizado, a defesa e apoiadores afirmam que ele apenas retrata a realidade das favelas, sendo alvo de preconceito por sua origem periférica. O caso também levanta questões sobre o papel de artistas na disseminação da chamada "narcocultura" e o uso de suas plataformas para fins criminosos.
Conclusão
A prisão de MC Poze do Rodo é um caso complexo que envolve acusações graves, debates jurídicos e sociais, e a tensão entre arte, liberdade de expressão e responsabilidade social. Enquanto as investigações prosseguem, a Justiça e a sociedade carioca continuam a acompanhar os desdobramentos, que prometem gerar ainda mais discussão.

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